Robôs Industriais: mercado mundial recupera

Em 2010 foram vendidos, a nível mundial, 118 337 robôs industriais, quase o dobro das vendas de 2009, o pior ano de sempre na história deste mercado (com uma queda de 47%). Os sectores automóvel e electrónica foram os principais responsáveis pela queda e pela recuperação. Em termos regionais, foi a Ásia (incluindo Austrália e Nova Zelândia) que registou maior subida em 2010 (mais 132%, 70 mil unidades), destacando-se a China, Coreia e países da ASEAN, cujas compras praticamente triplicaram. Apesar da redução das compras pela indústria automóvel,  o Japão subiu 72% (21,9 mil unidades) e saltou para a posição de 2º maior comprador de robôs. A China é agora o 4º mercado, logo a seguir aos EUA, que registaram uma subida de 90% e quase regressaram ao nível de vendas de 2008.

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Na Europa, as vendas de robôs industriais aumentaram 50%, com 60,6 mil unidades vendidas em 2010. O nível das vendas ainda ficou 13% abaixo do nível de 2008. A Alemanha é o principal mercado e também o líder na recuperação, com 14 mil novos robôs e um aumento de 65%. O sector automóvel, onde a queda de 2009 foi mais grave, aumentou 172%. Os sectores plásticos e metalomecânica aumentaram 50% e o sector alimentação e bebidas atingiu novo nível máximo.
A Espanha comprou 1900 robôs industriais, mais 41% que em 2009, mas não voltou ao nível de 2008. O Reino Unido comprou 900 unidades e aumentou 38%.

Mudanças estruturais

O ano de 2009 é considerado atípico na evolução do mercado dos robôs industriais. Os fabricantes e integradores sonham voltar aos níveis anteriores, mas também há sinais de que o mercado iniciou um novo ciclo de mudanças estruturais. As vendas de robôs dependem cada vez mais do crescimento das indústrias utilizadoras. Mesmo que haja vantagem em substituir robôs mais antigos por unidades mais eficientes, os clientes  reagem com mais prudência e começam por prolongar o tempo de serviço dos robôs de que dispõem. Nas estatísticas internacionais, a estimativa do total de robôs em serviço deixou de ser calculada com base num tempo de vida útil de 12 anos, passando a considerar-se 15 anos, número mais próximo da realidade.
Outra mudança estrutural é a que deve ocorrer na repartição sectorial das vendas. O sector automóvel (designadamente as aplicações de soldadura e pintura) continuará em primeiro lugar, mas descerá em termos relativos. Em compensação, existe um enorme potencial de crescimento em sectores como os plásticos e as indústrias de alimentação e bebidas, incluindo embalagem e engarrafamento. Nos plásticos, as aplicações típicas são a extracção e manipulação de peças técnicas após a moldação por injecção. Nas indústrias de produtos de grande consumo, as aplicações são sobretudo de paletização e manipulação.
No sector automóvel, o número de robôs instalados por cada 10 000 empregados situa-se entre 400 e 700. Mas nas indústrias de embalagem e alimentação e bebidas, esse indicador de "densidade de robôs" ainda está abaixo das 50 unidades! Embora nenhum fabricante de robôs possa descurar os segmentos automóvel e electrónica, o indicador de densidade aponta claramente para o elevado potencial noutros sectores.

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Esta mudança estrutural – diversificação – ficou mitigada em 2009 com a descida das vendas de robôs para as indústrias de plásticos e com o facto de a recuperação ainda ser parcial: 2008 – 14,8 mil; 2009 – 5,8 mil; 2010 – 8,94 mil. Mas isso deve-se ao peso das aplicações auto na indústria de plásticos. Esta indústria produz peças técnicas para outros sectores tão diferenciados como material eléctrico, electrónica, embalagem, aplicações domésticas, materiais de construção, peças técnicas para mobiliário, ferramentas, componentes para máquinas, brinquedos e lazer, artigos de uso médico, etc.. No seu conjunto, a indústria de plásticos, tem uma "densidade de robôs" que se pode considerar média, estimada entre 200 e 400 robôs por 10 000 empregos. Mas fora dos segmentos de grandes séries (auto), a densidade de robôs ainda tem muito por onde crescer. Em termos globais, a indústria de plásticos é responsável por 8% das vendas de robôs industriais.
O peso das indústrias da alimentação e bebidas é de apenas 4% das vendas globais. Em 2010, estas indústrias compraram apenas 4 350 robôs, 58% dos quais na Europa. As perspectivas de vendas para este sector são completamente diferentes. O aumento das vendas de robôs industriais para o sector automóvel depende do crescimento dessa indústria. Mas as vendas para os sectores da alimentação, embalagem e engarrafamento podem subir mesmo que essas indústrias tenham crescimento moderado – basta que haja aumento da "densidade de robôs". Por exemplo, substituindo sistemas de paletização convencionais por robôs, ou robotizando as linhas de embalagem.

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