Mais Indústria!

O "editorial" publicado na edição impressa da REVIPROJECT Nº 162 suscitou numerosos comentários dos leitores, muitos dos quais sugeriram a colocação do mesmo texto on line. Acolhemos a solução e aqui fica o texto:

Basta abrir um jornal para se ler ou ouvir alguma notícia ou comentário sobre a "crise". Na realidade, a palavra "crise" surge ao fim de poucos minutos em qualquer conversa. Quase sempre se está a falar da crise no sector financeiro, do endividamento público e das consequentes medidas de "austeridade" que vão marcar o ano de 2011.
E no entanto, existe uma outra crise muito mais grave e da qual pouco se fala: a perda de importância da actividade industrial na Europa em geral e em Portugal, muito em especial. Nas últimas décadas, o País deu-se ao luxo de pura e simplesmente não ter uma política industrial. Alguns governantes assumiram publicamente essa "doutrina". Vieram apenas alguns paliativos, chamados "incentivos", à mistura com o entusiasmo mediático em torno de alguns casos de pioneirismo e sucesso. Mas a realidade é que o peso da indústria no PIB é perigosamente reduzido! Portugal fabrica pouco e importa muito. É um País estranho que se auto-desvaloriza, que prefere importar e que – encaremos a verdade – tem vergonha ou medo de defender e preferir a produção e a engenharia própria.
Quando a crise financeira passar, a nossa economia continuará débil e dependente.
A falta de produção própria, de indústria, é a principal razão dessa debilidade.
Diz-se que os compromissos internacionais nos impedem de defender a nossa indústria. Diz-se que as indústrias nacionais não são competitivas. São desculpas preguiçosas. Se as importações fossem submetidas às mesmas exigências normativas, burocráticas, sociais e ambientais a que a indústria portuguesa está sujeita, outra competitividade cantaria.

O Editor

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